O segundo dia do final de semana de Bangers Open Air ocorreu no sábado, 03 de maio, no Memorial da América Latina, na Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo. Diferentemente do primeiro dia, que foi um warm-up, o sábado trouxe uma leva de 22 bandas que se apresentaram nos palcos Hot Stage, Ice Stage, Sun Stage e Waves Stage, abrangendo públicos dos mais diversos subgêneros do Metal, com destaque para a maioria de bandas de Power Metal, distribuídas nos quatro espaços.
Ainda assim, destaques do Hard Rock e do Crossover Thrash também apareceram, a exemplo da abertura do H.E.A.T. no Hot Stage e do caos de saudade do Municipal Waste, no Ice Stage, que foram grandes pontos do início do festival. Da mesma forma, o Sabaton trouxe seu poderio temático de guerras mais à noite, encantando um público massivo na área principal do festival. Abaixo, destacamos como foram estas e outras apresentações, num recorte de como foi o segundo dia no Memorial.
Alerta de “Disaster”? Só para os tímpanos — porque com o H.E.A.T, o resto foi festa hard rock!
Mesmo com o bumbo da bateria alto demais, o H.E.A.T. não deixou a peteca cair. A galera nem ligou pro detalhe técnico, porque o que rolou no palco foi pura energia. Os suecos de Estocolmo – atualmente formados por Kenny Leckremo (vocais), Dave Dalone (guitarra), Jimmy Jay (baixo), Don Crash (bateria) e Jona Tee (teclados) – tiraram onda com o público. Quando a plateia respondeu sem muito entusiasmo sobre a origem da banda, Kenny mandou logo a frase “pareceu que vocês não se importam”, arrancando risadas.
Dias antes da apresentação no Bangers Open Air, entrevistei o tecladista Jona Tee, que estava empolgado com o retorno ao Brasil e destacou o momento vivido pela banda desde o lançamento do disco “Welcome to the Future”, de 2025, que trouxe de volta Kenny nos vocais e marcou uma fase mais moderna e energética do grupo.
As músicas do disco novo foram recebidas como velhas conhecidas, com todos cantando juntos como se já fizessem parte da playlist diária. Começaram com “Disaster”, do recém-lançado “Welcome to the Future” (2025), abrindo a noite em ritmo acelerado. Na sequência veio “Emergency”, também do novo álbum, mantendo a adrenalina lá em cima. “Dangerous Ground”, do disco “H.E.A.T. II” (2020), trouxe a energia do Hard Rock clássico da banda e fez a galera responder com palmas e pulos.
Um momento curioso foi o que o vocalista Kenny, claramente empolgado, parecia pronto pra descer e se jogar no meio da galera. Ele chegou a olhar várias vezes pra beirada do palco, mas a distância até o chão era tão grande que ele parece ter pensado duas vezes. Ficou na vontade. E não dava pra ignorar o calor: no meio do show, o frontman abandonou a jaqueta e decidiu continuar só de regata, arrancando suspiros e aplausos da ala da frente.
“Hollywood”, outro destaque de “Welcome to the Future”, teve aquele clima de hino, com refrão cantado a plenos pulmões. “Rise”, também do novo álbum, veio com uma pegada mais épica, criando um daqueles momentos de conexão coletiva. A empolgação explodiu em “Beg Beg Beg”, do disco “Freedom Rock” (2010), que virou quase um duelo entre banda e público nos vocais.
“Back to the Rhythm”, mais uma de “Welcome to the Future”, manteve a pegada pra cima, seguida de “Bad Time for Love”, também do novo álbum, que teve um solo marcante de Dave Dalone arrancando aplausos. “1000 Miles”, um dos grandes sucessos do disco “Freedom Rock”, foi um dos pontos altos da noite — o coro foi tão forte que quase encobriu a voz de Kenny.
Em “One by One”, faixa de “H.E.A.T. II” (2020), o refrão explosivo fez o público vibrar como se fosse o último minuto do show. E, claro, encerraram com “Living on the Run”, do álbum “Address the Nation” (2012), transformando o festival inteiro num grande karaokê ao ar livre.
O show foi uma mistura bem equilibrada entre novidade e nostalgia, com os fãs abraçando todas as fases da banda. No final, os gritos de “H.E.A.T., H.E.A.T.!” incendiaram o palco, e a banda devolveu na mesma moeda, com presença, carisma e uma performance que não deixou ninguém parado.
Setlist:
- Disaster
- Emergency
- Dangerous Ground
- Hollywood
- Rise
- Beg Beg Beg
- Back to the Rhythm
- Bad Time for Love
- 1000 Miles
- One by One
- Living on the Run
Do “Garbage Stomp” ao Goku na roda punk: São Paulo virou lixão thrash (no bom sentido).
Demorou 15 anos, mas quando o Municipal Waste finalmente voltou a São Paulo, chegou chutando tudo. O vocalista Tony Foresta até se desculpou pelo sumiço, mas fez isso no melhor estilo da banda: com bom humor, sarcasmo e uma avalanche de riffs destruidores. Os moshes rolaram soltos do começo ao fim, e quem era fã do Sonata Arctica teve que ouvir provocações hilárias como “vocês estão mortos aí?” e “esses riquinhos aí precisam entrar no mosh, levem esse mosh até eles!” — tudo no maior espírito zoeiro, sem ofensa, só caos.
O som veio pesadíssimo, mesmo com o microfone de Tony ficando meio abafado em alguns momentos. Ainda assim, a energia foi tanta que ninguém parecia se importar. A banda compensou qualquer detalhe técnico com agressividade e entrega total.
O setlist veio frenético, como uma rajada sem respiro. Começaram com “Garbage Stomp” e “Sadistic Magician”, do clássico “The Art of Partying” (2007), já detonando qualquer chance de aquecimento gradual. “Slime and Punishment”, faixa-título do álbum de 2017, veio na sequência com aquela pegada thrash crua que só eles sabem fazer.
“Breathe Grease”, do mesmo disco, trouxe um refrão grudento que virou grito de guerra na pista. E “Grave Dive”, do álbum mais recente, “Electrified Brain” (2022), manteve o ritmo insano, seguido pela curta e direta “You’re Cut Off”, outra de “Slime and Punishment”.
A trinca “The Thrashin’ of the Christ”, “Poison the Preacher” e “Wave of Death” foi um atropelo sonoro. A primeira, do “Hazardous Mutation” (2005), já é cultuada entre os fãs; as duas seguintes, mais novas, mostraram que a banda não perdeu o gás em nenhum momento da carreira.
“High Speed Steel” e “Restless and Wicked”, ambas da obra “Electrified Brain“, mostraram a fase mais recente com riffs afiados e vocais cuspidos com raiva. A sequência, com “Crank the Heat” e “Mind Eraser” manteve o público girando sem parar. Já “Under the Waste Command”, faixa de 2003 do LP “Waste ‘Em All”, foi um presente para os fãs das antigas.
“Beer Pressure”, um hino etílico do “Massive Aggressive” (2009), preparou o terreno para a “metralhadora” final: “Thrashing’s My Business… And Business Is Good”, “I Want to Kill the President”, “Wrong Answer” (com um coro de vozes raivosas) e “The Art of Partying”, que quase implodiu a estrutura do festival.
Finalizaram com “Demoralizer” e o inevitável hino “Born to Party”, faixa que resume bem o espírito da banda: diversão, agressividade e caos. E como se tudo isso não bastasse, a roda punk ainda foi invadida por figuras de todos os tipos — Goku, Jesus, Eddie (do Iron Maiden) e outros personagens improváveis ajudaram a transformar o show numa mistura de mosh pit e carnaval Metal insana.
Que essa demora para voltar não se repita, hein? Que voltem logo — e com a mesma fúria.
Setlist:
- Garbage Stomp
- Sadistic Magician
- Slime and Punishment
- Breathe Grease
- Grave Dive
- You’re Cut Off
- The Thrashin’ of the Christ
- Poison the Preacher
- Wave of Death
- High Speed Steel
- Restless and Wicked
- Crank the Heat
- Mind Eraser
- Under the Waste CommandBeer Pressure
- Thrashing’s My Business… And Business Is GoodI Want to Kill the President
- Wrong Answer
- The Art of Partying
- Demoralizer
- Born to Party
Entre clássicos e emoção, Sonata Arctica mostra que o tempo só fez bem
O Sonata Arctica chegou em São Paulo com o público no bolso. Durante o show, os músicos demonstraram um grande carinho pelos fãs e interagiram com a galera de maneira muito receptiva. No palco, mostraram o quanto estão afiados: uma performance consistente, músicos sorridentes e tudo funcionando redondinho. Claramente felizes por estar de volta, entregaram um setlist cheio de emoção, com cada música recebida com calor e carinho pelos fãs. Quem curte a banda saiu com o coração quentinho e aquele sentimento de que a espera valeu a pena.
Começaram com “First in Line”, do The Ninth Hour (2016), para aquecer os motores e logo mostraram o poder de sua sonoridade única com “Dark Empath”, faixa do álbum The Ninth Hour que trazia toda a energia melódica característica do grupo. O público estava logo a mil, respondendo aos riffs e acompanhando cada acorde.
“I Have a Right”, de The Ninth Hour também, veio em seguida com seu refrão poderoso, empurrando a plateia ainda mais para o clima de euforia coletiva. Mas foi quando tocaram “San Sebastian” que o show realmente atingiu outro nível, com uma emoção palpável no ar. A energia da banda e do público parecia se misturar, criando um daqueles momentos mágicos que fazem qualquer fã se sentir parte de algo grande.
Em “Replica”, do Reckoning Night (2004), a banda fez uma conexão ainda mais profunda com os fãs, enquanto a galera cantava junto em uníssono. “My Land”, um clássico do Ecliptica (1999), seguiu logo depois, e foi impossível não se sentir transportado para os primeiros momentos da carreira do Sonata.
A performance de “FullMoon” (do Ecliptica), com a galera cantando o primeiro verso, trouxe aquele clima de nostalgia e uma emoção que tocou os fãs mais antigos de um jeito único. O show foi marcado também pela presença de “Wolf & Raven”, outro clássico do Ecliptica, onde a banda demonstrou toda a sua habilidade técnica enquanto mantinha o público completamente envolvido.
“Don’t Say a Word” (do Winterheart’s Guild – 2003) foi mais um marco na apresentação, acompanhada de uma energia inebriante vinda tanto do palco quanto do público. E para fechar com chave de ouro, tocaram “Vodka”, faixa descontraída e animada que deixou todo mundo com aquele sorriso no rosto, como se o show estivesse se despedindo de forma leve, mas ainda assim com todo o peso da performance de uma banda de nível internacional.
O Sonata Arctica mostrou que, com o tempo, continua a entregar apresentações marcantes, cheias de emoção e energia. Quem esteve ali sabe que, apesar do show ser super controlado e afinado, a conexão com o público foi o que realmente fez o show ser inesquecível.
Setlist:
- First in Line
- Dark Empath
- I Have a Right
- San Sebastian
- Replica
- My Land
- FullMoon
- Wolf & Raven
- Don’t Say a Word
- Vodka
Sabaton transforma o palco em campo de batalha (com direito a Hello Kitty e muito carinho dos fãs)
Depois de anos sem pisar por aqui, o Sabaton voltou com força total – e o público respondeu à altura. Desde o começo, dava pra sentir que seria uma noite diferente. A bateria estava altíssima, de estremecer o peito, mas ninguém parecia se importar: a galera estava vibrando, cantando todas as músicas em coro, como se fosse um reencontro entre velhos amigos.
A banda caprichou na pirotecnia, com explosões e efeitos que deixaram o show ainda mais grandioso. E a energia da plateia não ficou atrás: teve até crowdsurfing rolando durante várias partes da apresentação, mostrando que o pessoal estava realmente entregue ao momento.
O show abriu com “Ghost Division”, do “The Art of War” (2008), uma escolha perfeita pra colocar o público no clima. Em seguida veio “The Last Stand”, faixa-título do álbum de 2016, e logo depois “The Red Baron” com seu teclado marcante, direto de “The Great War” (2019).
“Bismarck”, lançada como single em 2019, veio na sequência, arrancando gritos da plateia. Depois disso, rolou uma música não identificada — o que só aumentou a curiosidade do público, mas ainda assim manteve a energia lá no alto.
A pancada seguiu com “Stormtroopers”, do “The War to End All Wars” (2022) e a imponente “Carolus Rex”, cantada em sueco, direto do disco de 2012. Em “Night Witches”, faixa do álbum “Heroes” (2014) e “The Attack of the Dead Men”, a galera não parou de cantar um segundo sequer.
“Fields of Verdun” e “The Art of War” mantiveram o clima épico. E aí veio um dos momentos mais inusitados da noite: em “Resist and Bite”, a banda encaixou um trecho de “Master of Puppets”, do Metallica, levantando ainda mais o público.
Na reta final, vieram “Soldier of Heaven” e “Christmas Truce”, ambas do último álbum “The War to End All Wars”. Mas foi em “Smoking Snakes” que rolou um dos momentos mais emocionantes da noite: sinalizadores com as cores da bandeira do Brasil foram acesos no meio do público, transformando o lugar numa cena de arrepiar que reforçou a conexão da banda com os fãs brasileiros.. A faixa em questão é uma verdadeira homenagem às batalhas do Exército Brasileiro na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial, cujo título faz alusão às críticas sobre a entrada do país no conflito e à atuação pontual, mas importante, no país europeu.
Antes de encerrar, o vocalista puxou a clássica brincadeira: “Do you want one more?” — e, com os gritos da galera, atenderam ao pedido. Assim, os membros do Sabaton fecharam com três clássicos: “Primo Victoria” (“Primo Victoria”, 2005), “Swedish Pagans” (“The Art of War”, 2008) — com direito à já tradicional guitarra da Hello Kitty — e “To Hell and Back” (“Heroes”, 2014), encerrando com todo mundo cantando junto e pulando até o fim.
O baixista ainda agradeceu o público por lembrar à banda o quanto é especial estar num palco. E ali, vendo a conexão entre eles e os fãs, ficou claro: esse show vai ser lembrado por muito tempo.
Setlist — Sabaton no Bangers Open Air 2025:
- Ghost Division
- The Last Stand
- The Red Baron
- Bismarck
- Stormtroopers
- Carolus Rex (versão sueca)
- Night Witches
- The Attack of the Dead Men
- Fields of Verdun
- The Art of War
- Resist and Bite (com trecho de “Master of Puppets” do Metallica)
- Soldier of Heaven
- Christmas Truce
- Smoking Snakes
- Primo Victoria
- Swedish Pagans
- To Hell and Back
